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Curiosidades Sobre o Mutum do Nordeste

O Brasil é um país com uma fauna e flora extremamente vasta. Mas também temos histórico de desmate irregular e caça de animais silvestres.

O seu nome científico é pauxi mitu. Mas é conhecido também por mutum e em alguns lugares e entre algumas pessoas também chamado de mutum-de-Alagoas. Essa ave é uma animal que infelizmente está em extinção em nosso país há mais de vinte e três anos por causa do desmatamento, da caça e do plantio de cana de açúcar. Antes de trazemos algumas curiosidades desta ave apresentaremos o mutum para você.

O Por Que Do Seu Nome Mutum

O significado do nome entre a língua tupi guarani e espanhola é: o grande pássaro preto. O mutum é da família Cracidae que contempla também o jacu e a aracuã. Animais que habitualmente vivem em regiões de intenso calor, tropicais ou subtropicais.

Seu nome mutum é originário do som característico que este animal faz. Veja, mutum veio da palavra em tupi Guarani mitú que era o som, que segundo os índios este animal fazia. De mitú o nome foi adaptado para mutum e hoje o mutum é conhecido mais notoriamente por este nome.

As Particularidades do Mutum do Nordeste

Em apenas uma palavra o mutum é um pássaro característico. Dificilmente você o confundiria com outra ave.

Tem aproximadamente 85 cm, isso quando contamos da ponta do bico a ponta do rabo. Suas penas são negras, exceto a barriga e o rabo que possuem um tom mais claro, remetendo ao cinza assim como para o marrom.

Uma característica até mesmo engraçada do mutum é que as pernas dessa ave assim como o seu bico são avermelhados, o que o torna ainda mais característico. O bico e o formato do bico desta ave também nos chama bastante atenção, achatado e meio quadrangular.

Mutum do Nordeste Fotografado de Perfil
Mutum do Nordeste Fotografado de Perfil

Como adiantamos, o mutum é um animal extremamente característico, uma grande diferença desta ave para as outras é em relação ao seu ouvido. Enquanto muitas aves tem o ouvido coberto por sua pelagem, o mutum tem os ouvidos descobertos.

Quando era mais facilmente visto na natureza essa ave era predominante na Mata Atlântica, tão como no estado de Alagoas e no Pernambuco.

Na natureza a sua alimentação era baseada na ingestão de frutos e sementes. Em algumas ocasiões o mutum também poderia se alimentar de restos de vegetais e folhas verdes.

Em alguns casos o mutum do Nordeste também pode acabar consumindo pequenos animais como pererecas e gafanhotos.

Na natureza ou em cativeiro voa para se defender, mas é uma ave naturalmente é calma, tranquila e não faz muito barulho. Em cativeiro, o que não é o indicado para nenhuma ave, visto que ao privar a sua liberdade você estará seriamente prejudicando o seu desenvolvimento, o mutum tem uma alimentação bem distinta, podendo consumir desde ração a pedaços de carnes magras. Contudo, o indicado é que sua alimentação se assemelhe a sua alimentação natural uma vez que é adequada a sua espécie e as necessidades deste animal.

Por Que o Mutum Está Em Risco de Extinção?

Quando dissemos no início deste texto que tanto o desmatamento quanto à caça ilegal podem levar a extinção de algumas aves e plantas, não estávamos exagerando. Pelo contrário, o mutum mesmo entrou em extinção por direta ação humana devido ao  desmatamento, a caça ilegal de animais silvestres até mesmo para comer e a expansão da cana de açúcar, devastando a Mata Atlântica para a plantação na época do pró álcool.

Como sabemos, o mutum era visto livremente pela Mata Atlântica. Somente no último ano a Mata Atlântica sofreu desmatamento de quase 13 mil hectares.

Casal de Mutum do Nordeste
Casal de Mutum do Nordeste

De 2015 a 2017 tivemos quase quarenta e cinco mil hectares de mata destruída. Desta forma, o mutum teve seu habitat natural destruído ficando sem chance sub-existência. Atualmente em todo o país são encontrados em torno de apenas cem mutuns vivendo em cativeiro.

Poucos deles são puros, visto que o cruzamento de espécies acabou acontecendo com o problema da extinção.

Reprodução, Preservação da Espécie e Reinserção na Natureza

Os últimos registros dessa espécie datam de 1978 a 1986. Desde 1987 o mutum do Nordeste entrou para o grande leque de animais ameaçados de extinção.

Para preservar a ave em 1998, 20 exemplares foram levados para o criadouro criativo cultural de Poços, atualmente existem cerca de 14 machos e 15 fêmeas entre híbridos e puros vivendo em cativeiro. Os mantenedores e pesquisadores são envolvidos na conservação da espécie.

Mutum do Nordeste Vivendo em Cativeiro
Mutum do Nordeste Vivendo em Cativeiro

Entre os cuidados estão a entrega da fruta pelo cuidador, para tentar incentivar o macho a entregar a fêmea, dar a ração específica da espécie para não faltar seus nutrientes necessários, já que em cativeiro os animais são mais suscetíveis a falta de nutrientes.

Todo o cuidado é essencial, desde a água a todos os outros. Para a reprodução e preservação da espécie foi necessário todo um processo, existiu um comitê de ação em Alagoas onde foi feito um mapeamento genético para identificar quais eram puros, menos puros e os híbridos. Os híbridos no caso, não serviriam para esse plano, somente os puros.

A reprodução do mutum começa no mês de agosto, em cada reprodução a fêmea bota de dois a três ovos e os filhotes demoram cerca de 28 dias para nascer. A meta desse plano foi que nascesse 30 filhotes por ano até o ano passado (2017) quando eles voltariam para o habitat natural. Para isso iriam adaptando-o pouco a pouco na natureza, através de menos contato humano em viveiros até a soltura ser feita.

Ave Símbolo de Alagoas

Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil ficaram impressionados com essa ave diferente de tudo que eles conheciam, o mutum aparece em várias pinturas da época.

Sua extinção na natureza afeta também a biodiversidade, como a árvore de mirindiba, fruto consumido pelos mutuns que tinha sua semente dispersada pelas aves, espalhando-as pelo bioma.

O mutum do Nordeste foi definido como símbolo do estado de Alagoas após a inauguração do Centro de Educação Ambiental Pedro Mário Nardelli. Este centro tem expectativa de ser aberto ao público para que aproximem os visitantes dessa ave. Na ocasião de inauguração foram colocados dois pássaros juntos para que seja feito todo o processo de adaptação para posterior retorno a natureza.

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