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Abutre do Egito

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Accipitriformes

Família: Accipitridae

Género: Neophron

Espécie: Neophron percnopterus

Abutre do Egito
Abutre do Egito

Com sua plumagem branca e pescoço emplumado, o abutre do Egito é uma ave de porte médio e que pode ser encontrada desde o continente europeu até a India e África oriental. De face amarelada e um bico aguçado em forma de gancho, a ave é também conhecida pelos nomes de abanto, britango, abutre branco do Egito e galinha de faraó. Este é o menor dos abutres, chegando a medir até 65 centímetros de comprimento e uma envergadura de asa que varia entre 1,55 e 1,70 centímetros, podendo pesar até cerca de dois quilos.

Apesar do seu nome, a ave anda meio desaparecida do Egito. Cerca de ¼ a metade da população global de abutres dessa espécie encontra-se na Europa, mais especificamente em países como Albânia, Bulgária, Espanha, França, Grécia, Itália, Moldávia, Portugal, Romênia, Rússia, Turquia e Ucrânia.

Ao aproveitar das correntes térmicas, o seu tradicional voo em círculo lhe permite manter-se no ar por longos períodos sem fazer muito esforço enquanto procura por alimentos.

Alimentação

Diferentemente de grande parte dos abutres, a espécie Neophron percnopterus, além de se alimentar de carne em putrefacção, também consome detritos orgânicos. Sua dieta é determinada pela disponibilidade alimentar. Em ambientes urbanos, o abutre do Egito alimenta-se de lixo e outros dejetos humanos, incluindo frutas e vegetais em decomposição. Por dia, este abutre é capaz de viajar 80 quilômetros a procura de alimento.

De acordo com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea), o abutre do Egito, quando migra para a África, consegue usar pedras para partir ovos de avestruz para se alimentar. Ele é uma das únicas aves conhecidas que usa pedras como instrumento de trabalho. Ele rouba os ovos da avestruz e, após depositá-los delicadamente em lugar seguro, o abutre busca pedras e as usa para romper a casca e saboreá-los.

Experiências científicas mostraram que, mesmo introduzindo ovos de avestruz em áreas onde elas não existem, como na Europa, o abutre do Egito “sabe” geneticamente o que fazer. Mesmo que ele nunca tenha tido a oportunidade de exercer o dom de quebrar os ovos, ele os coleta, busca pedras e prepara sua “omelete”. Muito esperto, não é mesmo?

Abutre do Egito Alimentação
Abutre do Egito Alimentação

Durante a refeição, esse abutre se associa a outros abutres, mas quase sempre chega tarde demais e consegue retirar apenas pequenos pedaços destacados por outros. É comum que o abutre do Egito apresente um comportamento condescendente em relação a outros abutres, mas ele é dominante sobre a maior parte dos animais corvídeos e milhafres.

O abutre do Egito apresenta uma dieta mais diversificada e alimenta-se frequentemente de cadáveres de pequenos animais, como ratos, cobras e coelhos. O seu bico não é tão forte quanto o de outras espécies e, por isso, costuma explorar partes específicas dos cadáveres de animais de maior porte, como os olhos, a língua e as vísceras.

População e Risco de Extinção

A espécie está classificada como em perigo de extinção por parte da comunidade científica. A população mundial de abutre do Egito está estimada entre 30 mil e 40 mil adultos. Somente na Europa, estima-se há entre 2.600 e 3.100 casais reprodutores. Já na Espanha, o número é mais preocupante: o último censo nacional, realizado em 2008, estimou uma população reprodutora de 1.452 a 1.556 casais. Em Portugal, a sua população diminuiu 30% nos últimos 30 anos devido a degradação do habitat, perturbação humana e perseguição.

Abutre do Egito Extinção
Abutre do Egito Extinção

Com o objetivo de impedir a extinção dos abutres na Europa e na África, a BirdLife International lançou a campanha mundial Stop Vulture Poison Now – ou Pare o Envenenamento de Abutres Agora, na tradução literal. A finalidade é tentar arrecadar dinheiro para ser investido na preservação das aves.

Na África, por exemplo, caçadores ilegais matam elefantes em busca de marfim e envenenam as carcaças com a droga veterinária diclofenac para matar os abutres. Dessa forma, fica mais difícil para as autoridades encontrarem os corpos e os criminosos conseguem mais tempo para escapar. As aves também são mortas para que partes de seus corpos sejam usadas na medicina tradicional. A perda de habitat e colisões com fios de alta tensão são encaradas como ameaças.

De acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), três em cada quatro espécies de abutres do Velho Mundo estão globalmente ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção.

Reprodução do Abutre do Egito

Abutre do Egito Reprodução
Abutre do Egito Reprodução

O abutre do Egito prefere penhascos ou escarpas para construir seu ninho, que é reutilizado em anos sucessivos. A fêmea põe, no final de cada Primavera, de um a três ovos, os quais são incubados pelos dois progenitores e eclodem ao fim de seis semanas. Três meses mais tarde, a cria, completamente desenvolvida, abandona o ninho.

As populações mais setentrionais são migradoras e dirigem-se para norte com a chegada da Primavera. No final de fevereiro e princípio de março, as aves entram na Europa por meio de Gibraltar, primeiro os adultos e depois os jovens. Os abutres do Egito passam o Verão nos países europeus mediterrâneos e voltam a África em setembro e outubro.

Onde Encontrar o Abutre do Egito

Abutres do Egito Onde Encontrar
Abutres do Egito Onde Encontrar

Durante o período reprodutor, Portugal é o melhor local para observar essas aves. O Douro Internacional, fronteira entre Portugal e Espanha, recebe a maioria da população desta espécie e é o melhor local para observação. Destaca-se a zona de Miranda do Douro, onde o abutre do Egito é uma presença quase constante ao longo da época de cria. Também pode ser visto em Picote, na zona de Lagoaça, em Barca d’Alva, e no vale do Sabor.

A ave também pode ser vista ocasionalmente na região do Sabugal. Já no centro do país, o único local onde a espécie pode ser vista com relativa facilidade é o Tejo Internacional, sendo por vezes também avistado nas zonas vizinhas, como por exemplo em Segura, e nas Portas de Ródão.

Embora raramente, a Neophron percnopterus surge no Cabo Espichel durante a passagem migratória outonal. O animal também pode ser observado, mesmo que esporadicamente, no extremo norte da região de Alentejo. Durante as passagens migratórias, alguns exemplares do abutre do Egito são avistados nas planícies de Castro Verde, assim como na zona do Cabo de Sao Vicente.

Fotos do Abutre do Egito 

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