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Criação de Mutum em Cativeiro

O mutum é uma ave brasileira pertencente aos gêneros Crax, Mitu e Oreophasis. A espécie mais conhecida é o mutum-do-nordeste, que infelizmente encontra-se extinto na natureza. Porém, em cativeiro, a população dessa espécie já ultrapassa 200 indivíduos.

Hoje você vai descobrir como a criação de mutum em cativeiro ajudou a impedir que essa espécie fosse completamente extinta do mapa. Confira!

A Salvação da Espécie

O mutum-do-nordeste (Pauxi mitu) foi visto pela última vez na natureza em 1987 em trechos remanescentes da Mata Atlântica. As principais causas para sua extinção na natureza são a caça predatória e destruição do seu habitat (atualmente com menos de 2% de sua extensão original).

A iniciativa de criação do mutum em cativeiro começou com duas fêmeas e um macho. Em 1993, esse número cresceu para 34 indivíduos. Hoje, há mais de 200 exemplares.

Em 1990, foi preciso fazer cruzamentos entre o mutum-do-nordeste e o mutum-cavalo. Isso porque, na época, havia poucas fêmeas no cativeiro.

As aves híbridas são difíceis de diferenciar das puras apenas pela morfologia, sendo necessário utilizar métodos de DNA. Entre 2008 e 2012, os já 148 exemplares existentes foram devidamente categorizados: 66 puros e 82 híbridos.

Reintrodução na Natureza

O mutum-do-nordeste foi a primeira espécie brasileiro a ser considerada extinta na natureza. Felizmente, graças a iniciativa de reprodução em cativeiro, a população desse animal tem voltado a crescer e alguns exemplares já começaram a ser reintroduzidos em seu habitat natural.

Em 22 de setembro de 2017, o primeiro casal de mutuns pode voltar a natureza. Para isso, o macho e a fêmea precisaram, antes, passar um tempo em um viveiro de 390 m² no Centro de Educação Ambiental Pedro Nardelli, na cidade de Rio Largo. O local fica sob administração do Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA).

Os exemplares reintroduzidos são monitorados periodicamente. O objetivo é obter dados sobre adaptação, dispersão, reprodução, predação e volume populacional.

Mais Sobre o Mutum-do-Nordeste

O mutum-do-nordeste é uma ave originária da Mata Atlântica de Pernambuco e de Alagoas. A espécie foi relatada pela primeira vez no século XVII e reconhecida em 1951.

Essa ave mede até 90 centímetros de comprimento e pesa de 2,75a 3 kg. Sua plumagem apresenta coloração em tons de preto-azulado. A dieta do mutum-do-nordeste é composta basicamente por frutos caídos no chão.

Em cativeiro, a fêmea costuma botar dois ovos, mas isso só acontece a partir dos 3 anos de idade.

Outras Espécies de Mutum

Mutum-de-Bico-Vermelho

Mutum-de-Bico-Vermelho
Mutum-de-Bico-Vermelho

O mutum-de-bico-vermelho é endêmico da Mata Atlântica e pode ser encontrado em pequenas áreas do sul da Bahia até parte dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Atualmente, a espécie apresenta grandes riscos de extinção devido à caça e ao desmatamento. Acredita-se que há menos de 250 indivíduos na natureza e aproximadamente 900 em cativeiro.

O mutum-de-bico-vermelho mede cerca de 85 centímetros de comprimento e pesa 3,5 kg. O corpo do macho é negro com a região ventral branca, exceto a ponta da cauda; a base do bico é vermelha e suas pernas são pretas. A fêmea apresenta asas em tons de ferrugem e topete branco; o bico é cinza e as pernas são avermelhadas.

Essa espécie fica a maior parte do seu tempo no chão procurando algo para comer. Sua dieta inclui frutos, sementes, folhas e alguns insetos. Vive solitariamente, em pares ou em pequenos grupos familiares.

De hábitos monogâmicos, o mutum-de-bico-vermelho atinge a maturidade sexual por volta dos três anos de idade. Durante o período de reprodução, é o macho que constrói o ninho no alto das árvores. Para atrair a fêmea, ele canta e faz uma dança característica.

Em cativeiro, a fêmea bota uma média de dois ovos e os incuba por cerca de 30 dias. Tanto o macho quanto a fêmea realizam os cuidados parentais por quatro meses.

Mutum-de-Penacho

Mutum-de-Penacho
Mutum-de-Penacho

O mutum-de-penacho pode ser encontrado do sul do Rio Amazonas até o oeste de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Essa ave também está presente na Bolívia, no Paraguai e na Argentina. Vive em pares ou em  grupos familiares de até quatro indivíduos.

O mutum-de-penacho mede aproximadamente 83 centímetros de comprimento e pesa quase 3 kg. Enquanto o macho é preto e de ventre branco, a fêmea é preta com listras brancas; a cabeça e o pescoço também são pretos; o peito e a barriga são bege.

Sua alimentação é composta por frutos, folhas e sementes. A dieta inclui também caramujos, gafanhotos, lagartixas e outros animais pequenos. A nidificação ocorre no alto das árvores. A fêmea bota dois ou três ovos brancos de casca áspera; a incubação dura 30 dias. Os filhotes nascem com os olhos abertos e acompanham os pais por alguns meses.

Mutum-do-Norte

Mutum-do-Norte
Mutum-do-Norte

O mutum-do-norte habita regiões de floresta, principalmente em áreas próximas a rios e lagos. A espécie pode ser encontrada em Goiás, Mato Grosso, Pará e Amazonas, além de outros países da América do Sul, como Colômbia, Guiana e Venezuela.

Essa ave mede cerca de 85 centímetros. Suas penas são negras no dorso e castanhas no ventre e na ponta da cauda. As pernas e os pés são avermelhados.

Ao contrária da maioria dos mutuns, o mutum-do-norte passa a maior parte do tempo em cima das árvores. Sua alimentação inclui folhas, sementes e frutos.

A postura dos ovos coincide com os períodos mais chuvosos. Nessa espécie, a fêmea também bota dois ovos e os incuba por 30 dias. O canto do mutum-do-norte costuma ser ouvido a partir das 5h da manhã.

Mutum-Cavalo

O mutum-cavalo pode ser encontrado no sudeste da Colômbia e no leste do Peru e da Bolívia. Em território brasileiro, essa ave pode ser vista do sul do rio Amazonas até o estado de Mato Grosso. A espécie ocorre em matas de terra firme, de várzea, de galeria e ripárias. Apesar de a caça predatória ser bastante recorrente, o mutum-cavalo ainda é muito comum na Amazônia meridional.

O mutum-cavalo pode chegar a medir cerca de 90 centímetros de comprimento e pesar até 3,85 kg. No chão, ele se alimenta de frutos, sementes, folhas e pequenos insetos. O ninho é construído a uma altura de dois a três metros.

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