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Raças De Caprinos Nativas Do Nordeste

Possivelmente um dos motivos pelo qual a região do Nordeste, especialmente a Paraíba e o Rio Grande do Norte, se concentra a maior quantidade de caprinocultores, cerca de noventa porcento da população de todo o país, seja exatamente o fato de grande parte das raças de caprinos brasileiras serem nativas de lá.

A Caprinocultura Do Nordeste

Tais raças no total somam cinco, elas são a mocotó, a marota, a Canindé, a gurgueia e a quinta que não é exatamente uma raça, pelo contrário, como seu próprio nome diz, é a srd, sem raça definida e ela é a maior população de caprinos entre os caprinocultores, isto porque muitos dos mesmos criam seus caprinos sem o conhecimento sobre as raças dos animais e consequentemente não têm conhecimento sobre a preservação da mesma através de cruzamento, por este mesmo motivo todas as raças citadas estão sendo ameaçadas de extinção.

Caprinocultura no Nordeste
Caprinocultura no Nordeste

Por outro lado, existem os caprinocultores que têm tal conhecimento sobre as raças e consequentemente as preservam ou as cruzam com a finalidade de obter caprinos mais produtivos quanto ao seu produto final, que pode ser o seu leite, a sua carne ou a sua pele, vulgo o couro de cabra. Quando pensamos nestes produtos, logo vem a nossa cabeça os bovinos, os perus, as galinhas, os porcos e por último talvez venham os caprinos, mas curiosamente a sua criação é uma das mais antigas, não tão rara ou incomum quanto possa parecer e o seu leite, por exemplo, é o terceiro mais consumido não só no nosso país, mas no mundo inteiro e por incrível que pareça o seu leite produz os mesmos produtos que o leite mais comum, o da vaca. Entre os produtos produzidos temos o leite esterelizado, o leite pasteurizado, o leite ultrapasteurizado, o leite em pó, o queijo, o requeijão, o iogurte e outros doces que normalmente usam o leite comum como base, como o sorvete por exemplo.

Os Conhecimentos Fundamentais Para Todos Os Caprinocultores

Apesar de ser uma criação mais acessível onde são encontradas por pequenos produtores rurais locais, pelo seu tamanho e consequentemente sua adaptação a pastos e alimentação fácil comparado aos bovinos que produzem os mesmos produtos, também requerem conhecimentos para o seu produto final ser produtivo. Se este produto final for o leite por exemplo, a raça mais ideal seria a Canindé, oriunda do Piauí. Ela é a melhor produtora de leite entre as cinco raças, sendo usada inclusive por alguns caprinocultores para a reprodução de raças com mais elevado potencial.

Caprinos e Ovinos
Caprinos e Ovinos

Se o foco é a produção de carne e de pele, as raças mocotó e repartida são as melhores opções, a primeira é encontrada em outra região além do Nordeste, sendo possível ser vista no estado do Pernambuco, na Paraíba, no Ceará e no Piauí, mas concomitantemente também na Bahia.

A mocotó é a única raça brasileira registrada oficialmente como raça de caprino, as outras apesar de serem consideradas raças não têm registro como tal. Todas as cinco raças de caprinos nordestinos são de porte pequeno, pesando em média trinta quilos quando atingem a maturidade física. Para aproximarmos mais você da caprinocultura, quando falamos que uma cabra não é boa produtora de leite, produz somente cerca de meio litro por dia, o que poderia ser melhorado com uma raça mais ideal caso o caprinocultor em questão visasse a produção de leite.

Características Dos Caprinos Do Nordeste

Dentre as características dos caprinos estão seus chifres, que os diferenciam dos ovinos, que são parecidos, tanto na questão da aparência quanto de criação. Curiosamente dentre estas raças a marota é a única que possui barba, outra curiosidade é que a raça Gurgueia tem esta nomeação pela região do nordeste em que é oriunda, o Vale da Gurgueia, no Piauí.

Cabra Moxotó
Cabra Moxotó

Os bovinos não só são parecidos com os caprinos pela sua criação gerar os mesmos produtos, o leite, a carne e o couro, mas também são pertencentes a mesma classificação de família, a bovidae. Como características em comum são ruminantes, isto quer dizer que seus estômagos têm quatro divisões, curiosamente por isto têm a capacidade de se alimentar com um alimento tão atípico, o cupim. Biologicamente estes ruminantes têm bactérias específicas no estômago que difere o mesmo, além do cupim base da sua alimentação, são herbívoros, ou seja, só se alimentam de vegetais. Outra característica da família bovidae que pode passar despercebida são seus cascos com somente dois dedos, alguns possuem chifres, outros barbas, como algumas raças de bodes. Eles são habitantes do mundo todo com exceção somente da Austrália, além dos bovinos e dos caprinos, na mesma família estão os ovinos e até os búfalos, que também produzem os mesmos produtos.

Os Caprinos Fora A Caprinocultura

Falando em caprinos e sua criação, podemos não imaginar que existam cabras selvagens, inclusive as raças de cabras domésticas são todas descendentes dela.

Vivendo de forma selvagem, somente as cabras vivem em bandos grandes de até quinhentas fêmeas, enquanto os machos, vivem de forma totalmente oposta, solitários. Os sexos opostos atingem a maturidade sexual com a média de um ano de diferença, as fêmeas com a idade mais precoce, de dois a três anos de idade, enquanto a macho de três a quatro anos.

Forrageiras Nativas
Forrageiras Nativas

No período reprodutivo anual, seus chifres e cornos são usados como armas em competições onde o vencedor se torna o progenitor. O cabrito, ou seja, o filhote do acasalamento, que geralmente só é um por reprodução, nasce depois de cerca de seis meses de gestação.

Após o seu nascimento, como mamíferos que são, o filhote desmama com cerca do mesmo período de seis meses. Têm a capacidade de se tornarem independentes para sobreviverem na natureza, se protegendo de seus predadores, que são animais como o urso, o lobo e a águia logo em seguida do seu desmame, já que o período de amamentação também é acompanhado de aprendizagens pela companhia da mãe.

Sua expectativa de vida é tão alta quanto o seu habitat montanhoso que naturalmente os protegem dos seus predadores, vivem cerca de doze a vinte e dois anos de vida. Por outro lado estão atualmente em risco de extinção pela sua caça.

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